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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Repentina


Durante a vida morremos diversas vezes. Aprendi isso num dos meus inúmeros sepultamentos, enquanto eu enterrava mais um pedaço do meu coração. Não tinha alguém pra me aconchegar num abraço, não havia uma rosa pra eu deixar junto a aquele pedaço condenado e que logo começaria a se deteriorar, não havia nada, não havia ninguém, só eu e minha alma cansada. Tempos depois voltei naquele mesmo lugar, não para deixar uma lembrança, mas para soterrar outra parte do meu ser. Dessa vez eu não estava mais tão solitária, a chuva se juntou a mim e as minhas lágrimas. Todas às vezes subsequentes foram assim, ou eu estava só, ou havia o vento ou quem sabe, a chuva. 
No final das contas, morro um pouco a cada novo baque, e mesmo após tantas mortes continuo morrendo. A única morte que me fará parar de morrer é a que me põe por inteiro embaixo da terra, esta pode estar mais perto do que nunca, ou mais longe, enquanto isso não ocorre, sigo assim, morrendo viva. 

Apregoar - Tumblr

sábado, 16 de novembro de 2013

Copo Vazio

Assim sinto-me. Sinto? Não. Assim estou. Vazia. Oca. Num labirinto que parece não haver luz. Uma caverna me engole cade vez que expiro. Meus pulmões já estão cansados. Pedem folga me deixando sem ar. Preciso de um tubo de oxigênio, não para viver, apenas para continuar existindo.

Débora - apregoar

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Violão

A cor não importa, há das mais variadas, de rosa até o amarelo. As seis cordas são essenciais para a melodia ficar perfeita. Afinação você mesmo pode fazer. Quando vires o buraco no meio do instrumento não se assuste. O furo faz com que o som saia mais alto. Minha habitação é a cova que está no centro desse instrumento. O oco é lá. O vácuo está em mim. O som produzido é belo, mas omite meus gritos de clamor. O que ouvires a partir de agora pode lhe acalmar, entretanto tenha ciência que algo pode lhe passar despercebido. Aprecie o timbre da solidão se tornar presente. Escuta? Minhas lamúrias formando as estrelinhas da música. Observe como são torturantes os tons mais agudos. Machucam? Estraçalham minha alma com um concerto musical todas as noites. O rasgo que fizeram dentro de mim já não dói mais. Acostumei com o som triste e dolente me pondo pra dormir. O eco já não me engole. Pois estou em casa. Nesse casulo escuro e frio é onde vou morar. No fundo desse oco estão trancafiadas as minhas dores. Aconselho-te que não leia tais frustrações. Correrá um grande risco de se engasgar com palavras pesadas e podres. Ainda está escutando minha alma cantar? Ouça. Veja que a letra narra o meu assassinato. Uma alma que já viveu e que hoje está em estado de vegetação. O sarau de minhas dores está acabado, as cordas viraram um emaranhado, meu eu está completamente aniquilado.

Apregoar e Maretiza

Sinopse

As páginas do meu livro estão amareladas e velhas. Umas com um pequeno rasgo, outras com cortes imensos que tornam quase ilegível as palavras. Na verdade não há muitas palavras, e as que têm estão espalhadas. A organização desse exemplar está um caos, mas afirmo que todo o conteúdo que for obtido é de uma sinceridade imensa. Posso adiantar que a dor estará presente em cada fragmento, a solidão fará companhia a ti quando for ler essa obra, as lágrimas podem vir a rolar perante meus torturantes relatos. É recomendada uma única coisa ao leitor, apenas para que ele seja fiel ao que ler e que prometa a si mesmo nunca se permitir adentrar a um lugar tão vazio e obscuro como a realidade da autora do livro. A leitura pode não ser agradável como um romance, mas será verdadeira como a pericia de um assassinato. Seja sensato ao ler minhas entrelinhas, enxergue, não apenas olhe.

Débora - Apregoar