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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Fortaleza

Eu querendo você do meu jeito
Cutuco, irrito, resmungo,
Provoco suas escolhas que não aceito
E a gente briga um mundo,
A ponto de construirmos abismos
De um vácuo cujo a dor emergente
Ecoa de talvez não seja para ser, mesmo,
Somos tão diferentes,
Até em nossos defeitos...
E sou só eu querendo você do meu jeito.
Enquanto você enorme, Amazona,
E ainda querendo ser minha,
Não se subordina,
E é essa resistência que me apaixona!

Adriano Dias 

domingo, 22 de novembro de 2015

Via Láctea

Ela costurava planetas como colcha,
a cobrir o frio proveniente de seus buracos negros,
na esperança de errar o mesmo erro
e encontrar o ponto antigo,
perdido em alguma parte do limbo,
pelo qual um dia cerziu a Terra.
Embora a roupa cósmica pouco esquente,
escolhe as galáxias mais belas e veste,
vaidosa e displicente,
enquanto, caídas pelo chão da Sala eterna
forma-se o manto celeste
no desperdício das estrelas que ela relega.
Nem lembra,
entre tanto astro disperso,
verificar se em algum já brotou vida.
Esquecendo luas, cometas, nebulosas perdidas,
tece entretida a costureira do Universo.
Pena não termos ainda o maquinário de observação
para contemplar a beleza desse trabalho,
enxergando apenas as partes discretas,
seus retalhos.
O Todo,
fica-nos por conta dos poetas
e sua estranha imaginação...
Adriano Dias

domingo, 15 de novembro de 2015

Semema

O que eu te amo
já atravessou a fronteira da tua pele
pela fresta na pupila
e foi matar a sede na tua foz,
lamber-lhe o sumo
que, corpo afora diluído
em só aromas em que te esvais,
ou timbres de voz,
ou charme nos meneios corporais,
funda cultos e suicídios.
E o sabor lambido
desprograma as camadas todas
que me constituem
em cada vez menos carne ou crença ou tudo
a restar só um halo mudo,
tão ínfimo que, enfim,
sou eu em mim,
ou quase,
meu algoritmo base.
O que eu te amo não tem nada em volta,
não tem corpo,
não tem volta
e é tão mínimo quanto o que vi de onde tudo vem:
Bóson de nosso permanente Big Bang!